Pergunta que não quer calar: Onde está a administração do Jardim Botânico?

Da Redação do MCJB – 08/08/2015

Depois de 7 meses do governo Rollemberg a RA-XXVII,  do Jardim Botânico,  é uma das poucas administrações regionais que está praticamente desativada.


Com apenas 11 anos de existência, a permanência da administração regional do Jardim Botânico parece incerta. Com um passado nebuloso, escrito por administradores apadrinhados políticos, o presente expõe um estado de não existência, iniciado com a tentativa do governador de extinguir a regional. Sobrevivente a esta tentativa, o Jardim Botânico amarga a falta de administrador, a falta de funcionários e a subordinação ao Lago Sul. Também não tem zona eleitoral e, para a Segurança Pública, está dividida em 3 partes. Cada parte é atendida por uma regional vizinha.  



Na maior parte do governo Agnelo, a Administração Regional do Jardim Botânico ficou sob a gestão de Cesar Lacerda, ligado ao ex-deputado distrital Benício Tavares, o mesmo que teve o mandato cassado pelo TRE-DF e está inelegível pela Ficha Limpa.  O próprio Lacerda é atualmente investigado pelo Ministério Público do DF por suspeita de emissão irregular de alvarás. Sua gestão foi marcada por poucas realizações e declarações de efeito, como a famosa afirmação de que o Jardim Botânico seria a “Suíça brasileira”.



Os moradores do Jardim Botânico votaram maciçamente no governador eleito, na esperança de uma renovação política que se pautasse por uma melhor gestão administrativa. A comunidade acatou a proposta de eleição direta para administrador regional, gerando a esperança de que o gestor político do bairro seria alguém que conhecesse a realidade local.



Placa no balão da ESAF é retrato do bairro.
Tentativa de acabar com a RA-XXVII



Ao contrário do prometido, uma das primeiras ações do novo governo foi a tentativa de extinguir a RA do Jardim Botânico, transformando-a em uma sub-região do Lago Sul, proposta que foi rejeitada tanto pela comunidade quanto pela Câmara Legislativa. Mesmo assim, Rollemberg mantém na prática o que não conseguiu na Câmara, fazendo do Jardim Botânico um bairro subalterno à comunidade vizinha.



Além disso, a Administração do Jardim Botânico é uma das únicas que se encontra esvaziada de servidores efetivos e comissionados. Das 31 RA’s, apenas o Jardim Botânico e a Fercal estão sem chefia de gabinete e servidores de chefia. Como consequência, processos administrativos estão paralisados, há lentidão na liberação de alvarás e habite-se; falta fiscalização, o que estimula a grilagem, com evidente aumento de invasões, como a da Vila do Boa, em São Sebastião, que prolifera nas costas de condomínio do Jardim Botânico; e a multiplicação de obras irregulares.



Uma das situações mais sentidas pelos moradores é a falta dos aparatos ligados à segurança pública: corpo de bombeiros, delegacia da polícia civil e batalhão da polícia militar. Dependendo do local onde ocorrer o problema, será preciso chamar São Sebastião, ou Paranoá, ou Santa Maria. Este problema é sentido também na Saúde. Recente episódio envolvendo uma pessoa desmaiada em um dos condomínios no final da Estrada do Sol, ao se chamar o Samu, estabeleceu-se uma discussão sobre quem era responsável.



A falta de obras emergenciais, como sinalização de trânsito, placas de endereçamento, entre outras, também é  reclamada.



Administrador interino faz o que pode



Administrador interino do Lago Sul
Fonte: Câmara dos Deputados

A comunidade, porém, não reclama do administrador interino, titular do Lago Sul, Aldenir Paraguassu. Ele vem marcando pontos com a comunidade. O melhor deles foi incentivar a união comunitária, promovendo um diálogo franco e aberto com a comunidade em reuniões semanais e itinerantes. A cada semana o anfitrião é um dos condomínios do Jardim Botânico.



Paraguassu não se esquiva de cobranças e comparece regularmente aos encontros. Dessas reuniões surgiu o MCJB – Movimento Comunitário do Jardim Botânico, que vem atuando na informalidade, mas se prepara para se institucionalizar.



Mesmo com todos os problemas, graças à intermediação de Paraguassu, houve avanços com relação à mobilidade, como as obras de intervenção do balão da ESAF, a adequação da via marginal da DF-001, com colocações de cones que melhoraram a fluidez do trânsito em horários de pico na Estrada do Sol. A edição da Portaria nº 4 definiu o mapeamento administrativo da regional e as  coletas de lixo e entulho foram reativadas e regularizadas.



A comunidade também celebra a aprovação dos processos de regularização dos condomínios Solar de Brasília e Ville de Montagne.



Apesar desses avanços, a intermediação do diálogo entre governo e comunidade corre perigo. Dificilmente Paraguassu conseguirá sustentar por muito tempo a onda de insatisfações geradas pela orfandade que o governo do DF impôs ao bairro.

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