Editorial – A lenda dos viadutos

Por Graça Melo – Editorial Atualizado em 19/01/2017 – Original escrito em: 14/07/2015

O sonho de qualquer morador do Jardim Botânico é ver o trânsito da DF-001 fluindo, senão livremente, pelo menos em ritmo que mantenha a dignidade do contribuinte. Mas este sonho está longe de acontecer. O que se vislumbra são anos difíceis pela frente.

As vítimas não são apenas os habitantes do Jardim Botânico, mas das regiões vizinhas, como São Sebastião, Paranoá e Itapoã, chamadas cidades dormitórios, pois a força produtiva da região ainda não permite a absorção da força de trabalho. Com isso, todos se deslocam diariamente rumo ao emprego. E todos os dias esbarram em um funil que se chama “balão da ESAF”, que interliga a DF-001 com a DF-035.

Esse ponto de retenção do trânsito poderia ser facilmente corrigido se existissem passarelas subterrâneas e um viaduto, talvez uma das mais antigas reivindicações dos moradores da região. Outros três viadutos também são reivindicados, em lugar dos respectivos balões: da BR-140, que vem do Tororó, da DF-463, que vem de São Sebastião, e da DF-027, que dá acesso a ponte JK. Veja no mapa clicando aqui.

“Esse ponto de retenção do trânsito poderia ser facilmente corrigido se existissem passarelas subterrâneas e um viaduto, talvez uma das mais antigas reivindicações dos moradores da região.”

Junto com o desconforto, transformado muitas vezes em suplício, viajam junto antigas promessas do governo do DF, promessas sempre renovadas. Às vezes, a esperança viaja junto, mas todos os dias ela termina no congestionamento do balão da ESAF.

Uma lenda circula entre os moradores. A origem da lenda ninguém sabe, mas todos juram que já ouviram falar que existem projetos e verba para a construção dos viadutos. Tal qual Saci Pererê, muitos acreditam, mas ninguém viu. Então o Portal do MCJB foi apurar a lenda. E descobriu que é lenda mesmo.

O DER, órgão responsável pela execução dos estudos e projetos que viabilizem a construção destes viadutos, já comunicou que não há previsão de obras para os próximos anos. Para aqueles que se deslocam de ônibus o destino ainda é pior. A comunidade luta pela implementação de novas linhas de ônibus, mas o DFTRANS, órgão responsável pela implementação das linhas de ônibus, também não deu previsão de quando o Jardim Botânico terá linhas alternativas, que melhorem a vida do cidadão.

O balanço que o Jardim Botânico e bairros vizinhos fazem é de lentidão. Ela vem de longe, pelo menos 7 anos. A mudança de inquilino no Buriti não melhorou nem mesmo a esperança do morador da região.

O GDF nunca foi bom de planejamento. É de se esperar, portanto, que não vai considerar o planejamento da mobilidade junto com o aumento da população. Enquanto a população cresce no ritmo chinês, o GDF anda no ritmo do caranguejo. Um passo para a frente e dois, para trás.

Quanto aos moradores, podem se contentar em viajar contando, no carro, para o filho que vai deixar na escola, a lenda dos viadutos.

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