ARTIGO: Maus modos

Por Luiz Saul – 21/09/2015 – Novo colunista do MCJB
 
Em meio a compreensíveis polêmicas, o bairro do Jardim Botânico completa mais um aniversário sofrendo um viés de crise de identidade gerada pela aspiração natural de pertencer a uma unidade administrativa exclusiva e circunscrita aos assuntos da região de abrangência. 
 
Outros aspectos de natureza político-administrativa decorrentes da situação de penúria econômica em que se encontra o Distrito Federal e outras unidades da Federação vêm instruindo os atuais governantes a adotarem medidas restritivas, as quais, certas ou equivocadas, justas ou injustas, laboram em desfavor dos anseios dessa parcela da população.
 Blog do Movimento Comunitário do Jardim Botânico
Menos mal que, ao contrário dos procedimentos anteriores, a Administração do Lago Sul e Interina do Jardim Botânico vem gerenciando o difícil equilíbrio dos desejos de duas populações entre si diferenciadas, uma vez que, enquanto uma se encontra consolidada, a outra expande a sua construção e os seus enormes problemas em um cenário de retroalimentação das dificuldades.
 
Daí a importância de que se podem revestir as reuniões institucionais semanalmente promovidas com cada comunidade como ocasiões sugestivas de trocas de informações e de encaminhamento de cada problema apresentado sob a ótica do morador. Daí também a importância de o morador, mesmo ciente da limitação da Unidade Regional quanto ao processo da equação dos seus problemas, manter-se atento e participante desses encontros. 
 
A questão que pega não é o conteúdo das demandas, mas sim, a forma de sua explanação. Como observador dessas reuniões, tenho percebido que, em geral, os participantes, sem a perda da veemência que sustentam os seus pedidos, postam as reivindicações em um patamar de insistência, mas igual observância da cortesia e da boa educação que a ritualística exige, e sem, nem por isso, permitir falecer os seus apontamentos. 
 
Eventualmente, algum desavisado e inseguro, por acreditar mais na grosseria do que na diplomacia, no berro do que na mansidão educada, intervém em busca de holofote e da aparência de uma liderança em que só ele acredita, para apresentar os maus modos que o descredenciam na origem. Outros, transformam-se em uma espécie de mosca de padaria, mudando de cadeira em cadeira, como a se sugerir um conspirador. Têm, vez em quando, aqueles sentados no fundo, na busca de falhas nas frases dos oradores, como se estivessem garimpando pegadinhas. E, por fim, outros, na vã tentativa de disfarçar a pajelança da ambição por cargos públicos através de argumentações vencidas e não raro canhestras.  
 
Essas situações menos nobres aconteceram recentemente tanto no Lago Sul quanto no Jardim Botânico. Mas, apesar disso, ao observador parece visível o avanço de soluções produzidos nessas ou em decorrência dessas reuniões.
 
Seria importante que todos ficássemos atentos àquela frase de efeito, pretensamente filosófica: “Hay que endurecer sin perder la ternura jamás“.

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