Editorial de Abertura: Paralisia, Resistência e Esperança

Por Graça Melo – 07/06/2015
No início do governo Rollemberg o Jardim Botânico foi surpreendido com uma má notícia: a RA XXVII constava da PL 182/15, que propunha sua extinção juntamente com outras tantas RAs. Tratava-se de uma parte do plano de economia para superar um quadro de quebradeira, supostamente deixado pelo governo anterior.
O caso era grave, e ainda é. Cabe às RAs emitirem alvarás de construção e a carta de habite-se. Ser a interlocução entre a comunidade e o governo. Encaminhar projetos para constarem do orçamento. Entre várias outras incumbências.
Mas o governo tinha, além de um plano de contingência econômica para enfrentar, um grande argumento: a RA do Jardim Botânico estava em imóvel ilegal, representando uma comunidade, parte dela ainda ilegal. Com isso, o governo deixou órfão o Jardim Botânico.
Foi a solução mais fácil.  Os que estão legalizados não conseguem construir por falta de alvará. Os que iniciaram suas construções não concluem por falta de habite-se. Crimes não constam sequer das estatísticas porque o Jardim Botânico não existe.  A frágil estrutura legal se desmantela com situações de desmando que fomenta a ilegalidade. Quiosques, barraquinhas e obras irregulares se multiplicam sem controle. Enfim, um terreno fértil para especuladores e grileiros atuarem nesta velha e nova terra de ninguém.
Mas o tiro pode sair pela culatra.  Seus habitantes saíram de sua histórica e muito brasileira letargia e se organizaram. Em reuniões semanais, estimuladas pelo Administrador Interino, Aldenir Paraguassú, as dificuldades foram sendo discutidas em debates que foram migrando pouco a pouco para uma consciência de grupo, que amadurece dia a dia. Criaram-se comissões – planejamento, segurança e meio ambiente; grupos focados se formaram, como o de articulação e o de comunicação. Finalmente, entendeu-se que havia um movimento permanente. Surgiu o Movimento, com M maiúsculo. Movimento Comunitário do Jardim Botânico, a um passo de ser institucionalizado.
Este blog é a voz do Movimento, este com M maiúsculo. Deste Movimento participa qualquer líder comunitário da região, qualquer morador interessado. Como consequência, o Movimento se ampliou por sua própria dinâmica e se organizou. Saiu de 25 mil (do Jardim Botânico, propriamente dito) e se estendeu para 75 mil, abrangendo comunidades vizinhas.
Seria saudável se o governo fizesse uma análise da quantidade de eleitores, pois essa economia de pau de fósforo (daquele que deixa o gás ligado para economizar o fósforo!) não vai funcionar. O que o governo planta, em nome da contenção, é um sentimento coletivo de impotência e uma força simultânea de resistência. Não vamos esquecer. Não queremos esquecer. Mas ainda temos esperanças. 

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